Torcedores do Inter de Milão dizem a Lukaku que imitação de macaco não é racismo

4 de setembro de 2019
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“Nós entendemos que pode ter parecido racista para você, mas não é assim”, disseram os torcedores após atos considerados insultos ao jogador

© REUTERS-John Sibley


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em carta aberta destinada ao atacante Romelu Lukaku, torcedores da Inter de Milão disseram ao belga que os gritos de imitação de macacos ouvidos por ele na partida contra o Cagliari, no último domingo (1º), na Sardenha, não foram racistas.

Ao se preparar para bater um pênalti e depois de convertê-lo, o atleta de 26 anos ouviu os sons vindos das arquibancadas.Chamados de ultras da Curva Nord, por ocupar esse setor no estádio de San Siro, os torcedores defenderam a manifestação dos rivais no final de semana. De acordo com eles, o jogador, que protestou contra o ato e encarou a arquibancada na celebração do gol, precisa entender a cultura italiana.

“Lamentamos que você tenha entendido que o que ocorreu em Cagliari foi racista. Você tem que entender que a Itália não é como muitos países do norte da Europa, onde o racismo é um problema real. Nós entendemos que pode ter parecido racista para você, mas não é assim”, diz trecho do texto, publicado em italiano e em inglês.

“Na Itália, usamos certas ‘maneiras’ apenas para ‘ajudar nossos times’ e tentar deixar nossos adversários nervosos, não por racismo, mas para desestabilizá-los”, acrescentam os torcedores na carta. “Somos uma organização multiétnica de torcedores e sempre recebemos bem jogadores de todos os lugares. No entanto, sempre usamos essa ‘maneira’ com jogadores de outros times e provavelmente vamos fazê-lo no futuro.”

Os ultras dizem ainda que “o verdadeiro racismo é uma história completamente diferente, e todos os torcedores do futebol italiano entendem isso muito bem”. Eles vão além e pedem a Lukaku: “Por favor, considere essa atitude dos torcedores italianos como uma forma de respeito pelo fato de que eles o temem pelos gols que pode marcar, não porque o odeiam ou são racistas”.

Não foi como forma de respeito que a manifestação na Sardegna Arena foi entendida pelo belga, contratado pela Inter por 74 milhões de libras (R$ 354 milhões) no mês passado. Após a vitória por 2 a 1 fora de casa, definida justamente em sua cobrança de pênalti, o atacante se posicionou sobre a questão, protestando contra a atitude dos torcedores do Cagliari.

“Muitos jogadores no último mês sofreram injúria racial. Eu também sofri. O futebol é um jogo a ser aproveitado por todos, e não devemos aceitar nenhuma forma de discriminação. Espero que as federações de todo o mundo reajam fortemente em todos os casos de discriminação”, escreveu, pedindo também maior rigor nas políticas das plataformas de redes sociais. “Senhoras e senhoras, estamos em 2019.”

O técnico da Inter, Antonio Conte, pediu mais respeito com quem está trabalhando. Já o Cagliari publicou uma nota oficial dizendo que “rejeita firmemente” o ocorrido e “sublinha, uma vez mais, sua intenção de identificar e banir os indivíduos ignorantes cujas atitudes vergonhosas são completamente contrárias aos valores do clube”.