
Amém ECOTEOLOGIA. Seja bem-vinda!!
E que: “Deus viu tudo o que tinha feito: era tudo muito bom” (Gen.1:31)
Então, devo procurar o Senhor do céu e da terra, nos templos feitos por mãos de homens, geralmente corruptas, ou no mundo e em tudo que nele há, porque tudo é muito bom??!!
Até já escrevi uma crônica correlata a esse tema em 10/03 p.p:
“Eu também me perguntei se acredito em Deus”.
https://www.agazetadelavras.com.br/eu-tambem-me-perguntei-se-acredito-em-deus/
Rubem Alves, foi muito feliz quando afirmou em seu livro:
“Transparências da Eternidade (2002)”:
”Mesmo sem estar vendo, eu acredito que existe uma montanha chamada Himalaia, e acredito na Estrela Alfa do Centauro, e acredito que dentro do armário há um réstia de cebolas…Se eu respondesse à pergunta dizendo que acredito em Deus eu o estaria colocando ao mesmo rol em que estão a montanha, a estrela, a cebola, uma coisa entre outras, não importando que seja a maior de todas. É preciso, de uma vez por todas, compreender que acreditar em Deus não vale um tostão furado”. E finaliza: “Posso responder à pergunta que me fizeram. É claro que acredito em Deus, do jeito como acredito nas cores do crepúsculo, do jeito como acredito na perfume da murta, do jeito como acredito na beleza de uma sonata, do jeito como acredito na alegria da criança que brinca, do jeito como acredito na beleza do olhar que me contempla em silêncio. E, se me faz chorar, é sagrado. É um pedaço de Deus”.
Identificado com essa visão socioambiental sustentável de Deus, passei a procurar uma base de apoio segura, para declarar-me simpático à essa proposta inovadora. Na verdade, queria encontrar algo sério, não folclórico, não supersticioso e não fanático, que ligasse Deus à pureza e à sabedoria da natureza, e não aos templos construídos por mãos humanas (tradicionalmente corruptas).
Parece-me que Einstein, ao seu tempo, tinha uma preocupação semelhante, e expressou crença no “Deus, que se revela na harmonia do que existe”. Afirmou Einstein: “Eu não sei como Deus criou este mundo, eu não estou interessado neste ou naquele fenômeno, no espectro deste ou daquele elemento. Eu quero conhecer os Seus pensamentos, o resto são detalhes”.
Foi então que para minha surpresa e alegria, encontrei no site Wikipedia, a descrição da “ECOTEOLOGIA”, e uma nova forma de teologia construtiva, que enfoca as inter relações entre religião e natureza, especialmente à luz das preocupações socioambientais.
Segundo a Wikipedia, a Ecoteologia geralmente parte da premissa de que existe uma relação entre as visões de mundo religiosas/espirituais humanas e a degradação ou restauração e preservação da natureza.
Ela explora a interação entre valores ecológicos, como sustentabilidade, e a dominação humana da natureza. O movimento produziu inúmeros projetos religiosos-ambientais em todo o mundo.
A crescente consciência da crise ambiental levou a uma ampla reflexão religiosa sobre a relação humana com a Terra.
Essa reflexão tem precedentes fortes na maioria das tradições religiosas nos domínios da ética e da cosmologia e pode ser vista como um subconjunto ou corolário da teologia da natureza.
É importante ter em mente que a Ecoteologia explora não apenas a relação entre religião e natureza em termos de degradação da natureza, mas também em termos de gestão de ecossistemas em geral.
Especificamente, a Ecoteologia busca não apenas identificar questões proeminentes na relação entre natureza e religião, mas também delinear soluções potenciais.
Ainda segundo a Wikipedia, Seyyed Hossein Nasr, uma figura pioneira no campo da Ecoteologia, estava entre os primeiros pensadores “a chamar a atenção para as dimensões espirituais da crise ambiental”.
Saibam que Nasr, um estudioso perenialista e filósofo persa sufi, foi uma das primeiras vozes muçulmanas que pedia uma reavaliação da relação ocidental com a natureza
Ele apresentou pela primeira vez seu insight em 1965, expandindo-o em uma série de palestras proferidas na Universidade de Chicago, vários meses antes de Lynn White Jr. dar sua famosa palestra na Academia Americana de Artes e Ciências, em 1966, e publicada na Science em 1967 como: “As raízes históricas de nossa crise ecológica”.
Neste trabalho, White apresentou uma teoria de que o modelo cristão de domínio humano sobre a natureza levou à devastação ambiental, dando voz à “reclamação ecológica“.
As palestras de Nasr foram publicadas posteriormente como “Man and Nature: The Spiritual Crisis of Modern Man“, em 1968, nas quais ele defendeu, de maneira detalhada, “o renascimento de uma visão sagrada do universo a fim de combater a crise ambiental contemporânea”.
Nasr é creditado por fazer “contribuições metodológicas e teóricas significativas para o desenvolvimento da Ecoteologia“. Porém, a relação da teologia com a crise ecológica moderna, no entanto, tornou-se um assunto de intenso debate na academia ocidental, somente em 1967, após a publicação do artigo “As raízes históricas de nossa crise ecológica”, de Lynn White Jr.
Em 1973, o teólogo Jack Rogers publicou um artigo no qual pesquisava os estudos publicados de aproximadamente doze teólogos que haviam aparecido desde o artigo de White. Eles refletem a busca por “um modelo teológico apropriado” que avalie adequadamente os dados bíblicos a respeito da relação entre Deus, os humanos e a natureza.
A bem da transparência, alguns estudiosos argumentam que foram os cristãos, na verdade, que ajudaram a desencadear a atual crise ambiental global, ao instruÍrem os seguidores de que Deus, e por extensão parte da humanidade, a explorarem a natureza em benefício próprio.
Muito do desenvolvimento da Ecoteologia como um discurso teológico foi em resposta a esse argumento, que tem sido chamado de “A queixa ecológica”. Os réus desta perspectiva afirmam essencialmente que o Cristianismo promove a ideia do domínio humano sobre a natureza, tratando a própria natureza como uma ferramenta a ser usada e até mesmo explorada para a sobrevivência e prosperidade.
No entanto, o cristianismo tem sido frequentemente visto como a fonte de valores positivos para o meio ambiente, e há muitas vozes dentro da tradição cristã, cuja visão abrange o bem-estar da terra e de todas as criaturas.
Embora Francisco de Assis seja uma das influências mais óbvias na ecoteologia cristã, existem muitos teólogos e professores, como Isaac de Nínive e Serafim de Sarov, cujo trabalho tem profundas implicações para os pensadores cristãos.
Muitos deles são menos conhecidos no Ocidente porque sua influência principal tem sido sobre a Igreja Ortodoxa, e não sobre a Igreja Católica Romana. A importância das tradições indígenas para o desenvolvimento da Ecoteologia também não pode ser exagerada.
(Reveja crônica da semana anterior e a carta do chefe indígena Seatle ao presidente americano, em 1854:
“Vai recomeçar a temporada anual de queimadas, desmatamentos, destruição e agressões generalizadas ao meio ambiente”.
https://www.agazetadelavras.com.br/vai-recomecar-a-temporada-anual-de-queimadas-desmatamentos-destruicao-e-agressoes-generalizadas-ao-meio-ambiente/
(É a hora e a vez da Agroecologia e suas Tecnologias Socioambientais Sustentáveis).
O site Wikipedia apresenta também, extensa lista de estudiosos famosos, de todas as religiões, que aderiram à visão de Deus, via Ecoteologia.
Portanto, finalmente, encontrei o caminho seguro e sério, para buscar-se o “Senhor do céu e da terra”, não nos templos feitos por mãos de homens, mas, no mundo e em tudo que nele há.
ECOTEOLOGIA: Eis o caminho!! Seja bem-vinda!!
“Em tua graça meditando,
Cantarei , ó bom Senhor,
E será na minha boca
Agradável o teu louvor. Amém”.
E Paulo Freire:
“Onde quer que haja mulheres e homens, há sempre o que fazer, há sempre o que ensinar, há sempre o que aprender.”