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CIVD, o possível novo sintoma da COVID-19; entenda

A CIVD é um distúrbio coagulatório que pode ser um novo desdobramento da COVID-19. Entenda a condição

Febre, tosse e cansaço: são esses os sintomas mais comuns da COVID-19 e dos quais mais ouvimos falar. Com o tempo, porém, algumas novas complicações provocadas pelo vírus vêm sendo descobertas, como perda de olfato, paladar, diarreia e diminuição do apetite.

Existem, ainda, novos desdobramentos da doença no corpo a serem observados, alguns deles relacionados a condições de diagnóstico difícil, como a coagulação intravascular disseminada ou apenas CIVD.

A infecção causada pelo novo coronavírus gera uma grande resposta inflamatória, podendo causar uma lesão na membrana interna que reveste os vasos sanguíneos e levando a esse distúrbio de coagulação.

Reações como essa são extremamente perigosas, podendo evoluir com disfunção de múltiplos órgãos, como esclarece Gilberto Eisho Kobashikawa, hematologista da Clínica Médica Consulta Aqui. Entenda este sintoma, seus desdobramentos e o que se sabe até agora sobre a sua relação com a COVID-19.

O que é CIVD

A coagulação intravascular disseminada (CIVD) é um distúrbio da hemostasia – uma desorganização que ocorre nas plaquetas e na coagulação. Como o próprio nome sugere, este processo acontece no interior dos vasos sanguíneos, sempre após um estímulo.

De acordo com Rubens Zaltron, hematologista e hemoterapeuta da Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia, esse estímulo pode ser uma infecção (como é o caso do coronavírus), mas também pode ser desencadeado por alguns outros fatores, como:

  • Sepse
  • Neoplasia
  • Trauma
  • Fatores obstétricos como descolamento prematuro de placenta
  • Síndrome de HELLP
  • Pré-eclâmpsia

Na CIVD o organismo começa a formar pequenos trombos e coágulos, utilizando as plaquetas e os fatores da coagulação circulantes. Assim, ao mesmo tempo que aumenta o risco de uma trombose ou embolia, reduz o número de plaquetas e piora a coagulação para formá-los, aumentando as chances de hemorragia.

Por que é difícil diagnosticar CIVD

Não existe um exame que comprove ou afaste a determinação de CIVD. Pacientes com CIVD estão muitas vezes em estado grave ou possuem doenças já em tratamento – e os achados clínicos e laboratoriais da CIVD, em geral, são semelhantes aos encontrados em outras patologias.

Além disso, em fases iniciais, pode não haver alteração em exames laboratoriais e a pessoa pode não ter manifestações características da síndrome, o que dificulta o diagnóstico.

CIVD e coronavírus

Pacientes com infecção por COVID-19 apresentam estado de hipercoagulabilidade relacionado a processo inflamatório, comorbidades, mobilidade reduzida e ventilação mecânica. Raramente pacientes com infecção por COVID-19 evoluem com CIVD clássica e, quando diagnosticados, geralmente apresentam forma mais branda.

“Porém, pacientes com forma grave da infecção têm risco elevado de evoluir para o quadro de CIVD, sendo este um dos fatores de mau prognóstico, com risco aumentado de morte” aponta o hematologista Gilberto Eisho Kobashikawa.

Deste modo, apesar dos modelos ainda carecerem de estudos científicos maiores (como os randomizados), já é possível afirmar a relação patológica do novo coronavírus com o aumento do risco de trombose e embolia.

Entretanto, assim como os sintomas da doença, este risco não é igual para todas as pessoas, não existindo uma recomendação, até o momento, para o uso de anticoagulantes de forma generalizada.

“Sabemos que pacientes que necessitam de internação podem ter benefícios com o uso de anticoagulantes, mas que tais drogas não devem ser usadas em assintomáticos e muito menos como prevenção para não doentes” alerta Rubens.

Fonte
Minha Vida

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