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Crer ou sim crer, eis a sugestão (Primeira parte)

O meu escritor predileto, Rubem Alves, gostava muito de citar a frase: “O que seria de nós se não fosse a ajuda das coisas que não existem”.

Confesso que foi isso que me inspirou o tema: “Crer ou sim crer, eis a sugestão“, uma vez que conhecemos amplamente aquela famosa frase de William Shakespeare, no verso “A tragédia de Hamlet”: “Ser ou não ser, eis a questão“.

Contudo, depois que René Descartes propôs: “Penso logo existo“, ser ou não ser, deixou de ser a questão primordial, a qual passou a ser: “Penso, logo desisto“. E aí, eu emendo:”-Penso, logo insisto, mixórdia ou misericórdia…??!!”.

Mas, para começar a divagar, preciso ter como referência, a ordem histórica crescente do surgimento das principais crenças transcendentais na face da Terra, acrescidas com seus respectivos rituais mais significativos, e principais símbolos sagrados, que materializam a crença.

Portanto, lembrando a minha crônica anterior:
Eu também me perguntei se acredito em Deus”
https://www.agazetadelavras.com.br/eu-tambem-me-perguntei-se-acredito-em-deus/

Nela, escrevi:
“...todas as religiões do mundo têm uma divindade suprema denominada de Deus. Todas têm um Livro Sagrado que declara ter sido inspirado pelo seu Deus. Todas declaram a vinda de algum enviado especial à Terra, para cumprir alguma missão especial, em nome desse mesmo Deus. Na realidade, todas insinuam seu deus superior aos demais. Os seus respectivos livros divinos melhores que os dos outros, e os seus enviados especiais, mais sábios que os correlatos. 

Catalogando-se apenas as principais religiões terráqueas em atividades, atualmente, e em ordem cronológica de surgimento, temos:

_Hinduismo: Deus, Brahma. Livro sagrado, Rig Vedas. Enviado especial, Vishnu;
_Judaísmo: Deus, Jeovah. Livro sagrado, Torá. Enviado especial, Patriarcas;
_Budismo: Deus, Devas. Livro sagrado, Tripitaka. Enviado especial, Buda;
_Cristianismo: Deus, Trindade. Livro sagrado, Bíblia. Enviado especial, Jesus;
_Islamismo: Deus, Allah. Livro sagrado, Corão. Enviado especial, Maomé…”

Portanto, considerando-se novamente esta ordem histórica de surgimento de crenças, seus respectivos deuses, livros sagrados e enviados especiais, aproveitarei o mesmo contexto, e agora, acrescentarei também a esta listagem, as suas materialidades, a saber: a prática ritual mais importante de cada uma delas e o símbolo sagrado principal da crença focada.

Assim:
_Hinduismo: Ritual, Banhar-se no Rio Ganges. Símbolo sagrado, Trishula;
_Judaísmo: Ritual, Circuncisão. Símbolo sagrado, Estrela de Davi;
_Budismo: Ritual, Nascimento de Buda. Símbolo sagrado, Roda do Dharma;
_Cristianismo: Ritual, Batismo. Símbolo sagrado, Cruz;
_Islamismo: Ritual, Festa do Sacrifício. Símbolo sagrado, Lua Crescente.

Importante informar que todas as crenças não citadas nesta matéria, também têm seu deus particular, alguma forma de grafar o sagrado, algum tipo de enviado especial, alguma cerimônia ritual fundamental, e algum símbolo sagrado venerável. Por razões óbvias, detive-me apenas nas denominações principais atuais, porque são de grande adesão popular. As crenças menos populares são numerosíssimas e não há espaço redacional para detalhamentos e abordagens de todas elas. Peço desculpas e compreensão, para todas as minorias não contempladas nesta matéria, que, eventualmente, não entenderem minhas limitações.

No hinduísmo, Banhar-se no Rio Ganges”, é mandamento sagrado.
Para a religião hindu, um mergulho físico em suas águas, segundo tal crença, pode limpar a pessoa de todos os seus pecados, e até mesmo, curar-se de doenças. Para os hindus, a vida não é completa sem um mergulho nas águas sagradas do Rio Ganges.

A Trishula (tridente) é o símbolo material da crença, porque lembra o passado, o presente e o futuro de toda a existência.

No Judaísmo, a Circuncisão” é um rito presencial de inserção no povo eleito, e tem de ser realizada no 8.º dia do nascimento do menino, como um sinal da aliança entre Deus e Abraão e seus descendentes. Deus tornou obrigatória a prática da circuncisão masculina para Abraão, um ano antes de Isaque nascer.

A Estrela de Davi é o símbolo material da crença, porque lembra o escudo divino protetor.

No Budismo, participar fisicamente do “Culto em Louvor ao Nascimento de Buda” é importantíssimo. Realiza-se então, a cerimônia ritual anual, do banho de chá doce na estátua do Pequeno Buda. Assim, as pessoas devem banhar com chá adocicado a imagem de Buda, e quem realiza o ritual é abençoado e tem seus pedidos de graças realizados. Isso garantirá saúde e sorte durante o ano todo.

A Roda do Dharma é o símbolo material da crença, porque lembra o ciclo de morte e renascimento, ao qual está preso todo ser.

No Cristianismo, o Batismo” individualizado é o sacramento obrigatório, através do qual o sacrifício de Jesus Cristo se aplica às almas, tornando-as, em primeiro lugar, Filhas de Deus, e também, membros da Santa Igreja de Cristo, abrindo o caminho para a salvação eterna.

A Cruz é o símbolo material da crença, porque lembra o sacrifício vicário de Jesus Cristo.

No Islamismo, a “Festa do Sacrifício”, ocorre durante a peregrinação física a Meca (Hajj) e é considerada a cerimônia mais importantes da cultura muçulmana. Com duração de 4 dias, a festa é uma homenagem ao sacrifício de Ismael, filho do profeta Ibrahim, seguindo a vontade de Alá.

A “Lua Crescente” é o símbolo material da crença, porque lembra a dignidade, soberania e a renovação da vida e natureza.

 

Após todas estas considerações conexas complexas, pergunto com nexo simplexo, em anexo sem amplexos, ou seja, diretexo:

Onde cada um destes deuses estava, durante os 300 anos de brutal escravidão dos povos africanos??!!

Onde cada um destes deuses estava, durante as infernais ações nazifascistas em Auschwitz??!!

-Onde cada um destes deuses está, enquanto Darfur, na África, hoje (Dez/2021), continua padecendo horrivelmente, com as maiores e as mais desumanas tragédias da atualidade, especialmente para as crianças??!!…”.

Continuaremos na próxima semana. Não percam.

(Acessem as crônicas anteriores, clicando na franja “Blogs e Colunas“, acima do título da matéria atual. Em seguida, pode-se clicar na franja “Próxima página >“, no rodapé da página aberta, para continuar acessando-se mais crônicas anteriores).

 

 

 

 

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